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Apesar de serem muitos os jovens a procurar aprender a segunda língua oficial, um estudo da Universidade de Konstanz indica que a presença da “llengua” é apenas simbólica

Carla A. Gonçalves

O mirandês, apesar de ser a segunda língua oficial do país e de começar agora a ser procurada pelos jovens, continua a ser um idioma pouco usado e com uma presença apenas “simbólica”. Segundo um estudo da Universidade de Konstanz, na Alemanha, no dia-a-dia, pouco mais de 20 por cento da população usa o mirandês, sendo que grande parte são maiores de 60 anos.
O estudo, da investigadora Aurelia Merlan, foi apresentado neste fim-de-semana, em Miranda do Douro, durante um Encontro Internacional que reuniu especialistas de todo o mundo para debater o “Discurso, Metodologia e Tecnologia”.
Os dados estatísticos vêm contrariar o optimismo gerado à volta da procura dos mais jovens em aprender esta língua. Ao todo, são já mais de 400 os alunos a optarem por aprender a disciplina de Língua e Cultura Mirandesa, sendo já tês os professores que leccionam a cadeira. No entanto, Aurelia Merlan diz que o mirandês nem sequer nas situações informais, com a família, é preferido em relação ao português. Também nas instituições, como a Câmara Municipal, o Tribunal, assim como Juntas de Freguesia, apenas cerca de 16 por cento se servem do idioma. A tendência é mesmo de “regressão”, sendo já poucos os que transmitem esta língua como idioma materno.

(de l Mensageiro de Bragança, 11-10-2007)

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Francisco Pinto

“A Língua Mirandesa corre perigo de desaparecer?” A pergunta é de Aurélia Merlan, investigadora da Universidade de Konstanz, na Alemanha, que inquiriu mais de 600 pessoas de Miranda do Douro e conclui que menos de 3% dos jovens locais falam a “lhéngua”. Isto apesar de as escolas do concelho terem visto aumentar significativamente o número de inscritos na disciplina.

O estudo, a que o JN teve acesso, pretendeu analisar os principais problemas que afectam a segunda língua oficial em Portugal e determinar a actual situação sócio-linguística da “lhéngua” na Terra de Miranda. E descobriu que 60% dos adultos ainda a utilizam como língua materna.

Falha intergeracional

No entanto, a substituição do Mirandês pela língua maioritária – o Português – parece ser já uma tendência. E não é apenas característica da Terra de Miranda. É constatada noutras regiões da Europa onde se falam línguas minoritárias a Sardenha, em Itália, ou as Astúrias, em Espanha (neste caso, o número de falantes baixou já de 36% para 17,7 %).

O problema do Mirandês parece estar, segundo a investigadora, na transmissão intergeracional da língua, que foi deixando de ser passada como língua materna ao longo do século XX (ver quadro). “Actualmente, o Mirandês tem ainda uma certa vitalidade, mas, nos últimos 20 anos, deixou de ser transmitido como língua materna. Uma língua que não é transmitida como tal corre o perigo de desaparecer e ficar apenas como língua estudada nas escolas”, alerta a investigadora Aurélia Merlan.

Prova disso é o facto de o Português ser praticamente a única língua usada em instituições públicas, como a Câmara Municipal ou o Tribunal. Salvam-se as juntas de freguesia, onde os mirandeses vão mantendo a “lhéngua” por permitir uma maior proximidade com o povo.

Resultados são um alerta

Para António Bárbolo Alves, director do Centro de Estudos António Maria Mourinho, os resultados do estudo não são tão animadores para o futuro da Língua Mirandesa quanto alguns discursos pretendem fazer crer. E devem ser lidos cuidadosamente.

“Há opiniões optimistas, mas a realidade não é bem assim. Todos os dados do estudo apresentado têm de ser debatidos e analisados, até porque não pode haver curas sem se saber qual é o diagnóstico”, argumenta o investigador.

“Está de boa saúde”

Júlio Meirinhos, ex-deputado do PS, e impulsionador da Lei 7/99 – a “Lei do Mirandês”, que reconheceu a “lhéngua” como segunda língua oficial em Portugal -, acredita que “o Mirandês está de boa saúde” e desvaloriza o estudo de Aurélia Merlan. Mas encara-o como “uma declaração técnica e intelectual no sentido de alertar para que se faça mais e melhor trabalho em prol da manutenção da Língua Mirandesa”. E acredita que “nunca ninguém deixou que o falar português prejudicasse o Mirandês”. Júlio Meirinhos sugere, no entanto, que os ministérios da Cultura e da Educação se juntem na criação “urgente” de um Instituto ou mesmo de uma Fundação da Língua Mirandesa, uma entidade isenta que não alinhe “no permanente folclore” que se tem verificado em torno da “lhéngua” e possa dar “uma orientação científica rigorosa” para o seu futuro.

(de l Jornal de Notícias, 12-10-2007)

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O Mirandês está em risco de desaparecer. É uma alerta importante, que contraria o optimismo que reinava em torno da expansão da língua. Apesar de se dizer que o Mirandês está na moda, o 1º estudo sócio-linguítico da língua, presentado este fim-de-semana em Miranda do Douro, durante um colóquio internacional, revela que nos últimos anos a lhengua deixou de ser usada em termos familiares e no quotidiano no trato com as instituições locais.

Este documento sublinha que por estar a deixar de ser língua materna, o mirandês está gradualmente a ser substutuído pelo Português. Alguns especialistas dizem que a situação é grave e deve motivar o debate urgente sobre a preservação do Mirandês.

(da Rádio Bragança, 8-10-2007)

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